domingo, 22 de novembro de 2009

Columbia Crest Cabernet Sauvignon Columbia Valley Reserve 2005. Vinho do ano, para Wine Spectator

Muitos se surpreenderam com a escolha, pela revista Wine Spectator, de um vinho do Estado de Washington, situado no extremo noroeste dos Estados Unidos, fronteira com o Canadá, como o #1 dos Top 100 de 2009.

Quem acompanha mais de perto o mundo dos vinhos, ainda que não possa dizer que anteviu tal escolha, entretanto logo identifica as diversas causas que contribuíram para o resultado.

Antes de tudo, para evitar mal-entendidos, deve se registrar que muito provavelmente o vinho escolhido, Columbia Crest Cabernet Sauvignon Columbia Valley Reserve 2005, é de ótima qualidade.

Trata-se de um varietal (logo deve conter pelo menos 75% de cabernet sauvignon, pelas leis locais) que mereceu 95 pontos na análise da WS, e tem (ou pelo menos tinha) um preço de aproximadamente $30 (trinta dólares).

Pelos padrões de avaliação da WS, na elaboração da lista dos Top 100 a cada ano, esta boa relação custo/prazer tem grande relevância, e certamente contribuiu para a posição de #1 de 2009.

Deve-se ainda levar em conta que os norte-americanos, cada vez mais ávidos consumidores de vinho, concentram cerca de 75% de sua preferência nos vinhos nacionais, o que talvez explique, em parte, o alto preço relativo dos produtos locais, quando comparados com o valor de venda daqueles que apresentam qualidade igual ou mesmo superior, oriundos de outros países, disponíveis naquele mercado.

O Estado de Washington é atualmente o segundo maior produtor dos Estados Unidos.
Embora bastante recente – teve início no final dos anos 60 do século passado – a vitivinicultura local teve rápida evolução, sendo capaz, hoje, de produzir vinhos de qualidade internacional, concentrada quase totalmente na árida região leste do Estado, protegida das famosas chuvas litorâneas (quem não se lembra de Sleepless in Seattle?) pelas Cascade Mountains.

Depois de um início concentrado na produção de vinhos brancos, os quais ainda produz com qualidade (especialmente chardonnay e riesling), Washington revelou-se um excelente produtor de tintos baseados sobretudo em merlot e cabernet sauvignon.

A propósito, a principal região produtora (indicada em inglês pela sigla AVA, para American Viticultural Area), Columbia Valley, se acha situada na mesma latitude de Bordeaux.

Todos estes aspectos combinados ao propósito, bastante caro à WS, de difundir a produção e o consumo de vinho nos Estados Unidos, explicam a escolha algo surpreendente.

A título de curiosidade, registre-se que o site de Robert Parker, Wine Advocate, fez uma avaliação positiva, mas não extraordinária do vinho, tendo-lhe atribuído 89+ pontos, com previsão de maturação em 2011 ou 2012.

Por fim, não se pode desprezar o poder de marketing da empresa que, segundo o Oxford Companion to Wine, de Jancis Robinson, e a Wine Advocate de Robert Parker, controla a vinícola premiada.

A Columbia Crest é uma subsidiária do Chateau Ste Michelle Wine Estates, maior produtor de Washington, um dos gigantes do país, que mantém joint ventures com a alemã Dr. Loosen (para produção do branco Eroica Riesling) e Piero Antinori da Itália (para produção do tinto Col Solare e como sócios na compra da prestigiosa vinícola californiana Stags Leap Wine Cellars, no ano passado).

O desafio agora, para todos nós curiosos enófilos, é encontrar este vinho para confirmar, motu proprio, seu real valor.
Saudações vínicas a todos!
Copav

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